Lamego - Misericórdia com novo provedor em dezembro


O provedor da Santa Casa da Misericórdia de Lamego, António Marques Luís, vai sair da instituição. O anúncio foi feito na última assembleia geral.

As eleições para os novos órgãos diretivos estão marcadas para 18 de dezembro. Após sete anos no cargo de provedor, António Marques Luís anunciou que não se recandidata a um novo mandato por “imperativo de consciência”, uma vez que considerou como “muito relevante a renovação da liderança das instituições”.

O responsável destacou os investimentos feitos sob a sua batuta com o objetivo de “melhorar os serviços prestados à comunidade”. “Considero que tomei um conjunto de decisões que alterou os desígnios desta Santa Casa. Agradeço toda a confiança que depositaram em mim à frente desta instituição multisecular”, afirmou.

O provedor lembrou a crise provocada pela pandemia da Covid-19, onde, afirmou, as instituições de solidariedade social, incluindo a Santa Casa de Lamego, vivem grandes constrangimentos financeiros.

“Para além dos imensos custos económicos que acarreta - com o aumento enorme das despesas e a perda substancial das receitas -, esta situação provoca grandes constrangimentos no funcionamento desta instituição. A pandemia dura há vários meses e ainda não sabemos quando terminará. É um rude golpe do ponto vista humano, pelos sacrifícios que impôs, e impõe, e pelos enormes custos económicos”, frisou António Marques Luís.

Os irmãos da Santa Casa da Misericórdia aprovaram, na assembleia geral, a proposta do Plano de Atividades e Orçamento para 2021, elaborada com vista a recuperar a situação económica e financeira da instituição.

De acordo com o documento, a direção prevê para 2021 uma redução considerável do défice de exploração, equivalente a 107 mil euros, em comparação com 2020, com vista a atingir o equilíbrio orçamental.

Segundo a Misericórdia, para 2021, estão previstas despesas de mais de 2,3 milhões de euros e receitas de 2,2 milhões, com um saldo negativo de mais de 91.400 euros. “No entanto, o orçamento total de despesas correntes e de capital poderá apresentar um saldo positivo superior a 293 mil euros, caso sejam aprovadas duas candidaturas a fundos comunitários (CIM DOURO) e nacionais (Programa PARES 3.0)”, acrescenta a instituição.

A Santa Casa antevê um aumento das receitas “devido à celebração de uma extensão do acordo relativo ao Lar de Idosos, com a Segurança Social, que aumentará o número de vagas comparticipadas” e também ao arrendamento de apartamentos e lojas situadas na Rua da Olaria e Rua do Teatro, em edifícios detidos pela Misericórdia, e ao aluguer de uma parte das instalações do antigo Hospital para a instalação de uma clinica de hemodiálise.

A despesa deverá ser reduzida devido à redução dos custos com o pessoal e com fornecimentos e outros serviços. O Plano de Atividades e Orçamento para 2021 mereceu o parecer positivo do Conselho Fiscal. Os irmãos aprovaram ainda a proposta de alteração do Regulamento Eleitoral dos Corpos Sociais.